Estudos do potencial energético no oeste catarinense

 A empresa Eletrosul desenvolve o Projeto Alto Uruguai que compreende o Oeste de Santa Catarina, na fronteira com o Rio Grande do Sul. Na primeira fase do projeto, que teve cinco anos de duração, foram implantados 35 biodigestores em 29 cidades da região Sul .

 Já a segunda etapa, ocorre no município de Itapiranga-SC. Foram implantados 10 biodigestores em várias famílias do município. O investimento inicial feito pelo projeto é de aproximadamente R$ 10 milhões. O objetivo é desenvolver pesquisas que apresentem o potencial energético da região oeste catarinense e para isso há várias instituições envolvidas na pesquisa: UFSC, UFSM, Embrapa, Ita (dois centros de pesquisa) e ACERT.

Segundo o Gerente Regional da Eletrosul, Ronaldo Lessa, muitas famílias não adotam o sistema de biodigestor por não saber o que ele é. “Para alguns falta à consciência, mas para outros, ninguém falou os benefícios que eles teriam com a produção de biogás e é lógico que quando você não fala, eles continuarão a trabalhar na mesma cultura”, ressalta Ronaldo.

Ronaldo Lessa - Gerente Regional da Eletrosul

Ronaldo Lessa – Gerente Regional da Eletrosul

Legislação Ambiental

  No Brasil não existem leis especificas que regulamentem a produção de biogás. Os agricultores podem produzir energia através dos geradores alimentados pelo biogás, porém não podem vender o excedente de energia produzida para a concessionária de energia elétrica em Santa Catarina. Em alguns estados já existem leis estaduais que permitem essa transação, o que torna mais viável a implementação dos equipamentos.

 Segundo o Secretário de Agricultura e Pesca de Santa Catarina, João Rodrigues, para que mais pessoas adotem o sistema são necessários mudanças. “É preciso mudar a Legislação Ambiental e a carga tributária de impostos, já que a maioria dos equipamentos necessários para a instalação vem do exterior, o que encarece demais o produto”, afirma o secretário.

FOTO 7JPG Energias limpas e desenvolvimento devem ser pensados juntos, afinal, a Constituição garante o direito a um meio ambiente equilibrado e prazeroso para se viver. Os governos, acima de tudo, têm um forte papel para incentivar o uso de novas formas de energia, através de Políticas de Crédito e criar uma legislação específica para as energias limpas. Só assim será possível pensar em um país sustentável.

O desafio dos Consegs em Chapecó

Adelvino de Vargas é um dos vários moradores chapecoenses que se preocupam com a segurança. Há mais de 16 anos, saiu do interior da pacata cidade de Itá, há 60 km de Chapecó,  para viver e constituir família no bairro São Pedro. Hoje, com 56 anos, tem um mercado no bairro e participa ativamente do Conseg Leste.

Conseg Bairro São Pedro - Chapecó - SC.

Conseg Bairro São Pedro – Chapecó – SC.

Seu Adelvino, foi por duas vezes vice-presidente e uma vez presidente do Conselho. Ele destaca que a principal conquista foi a base militar instalada no São Pedro. “Com o Conseg, conseguimos trazer para o bairro uma Base da Polícia Militar, que dá um pouco mais de tranquilidade para nós. Por isso eu acredito que ele funcione”. Porém, Adelvino relata que ainda há dificuldades a serem superadas, como a falta de envolvimento das pessoas:  “Todo mês o Conselho convida a população para frequentar as reuniões e fica na dependência da participação efetiva das pessoas. Em média , em nossas reuniões mensais há de dez a quinze participantes. Isso mostra a fraca participação da população e dificulta ainda mais as ações da polícia”, afirma ele.

Além da fraca participação, outra dificuldade do Conseg é a falta de conhecimento sobre o que ele é.  Eduardo Salles é estudante de Direito e morador no centro de Chapecó. Tão preocupado com a segurança dele e de sua família, afirma não conhecer o trabalho e o papel dos Conselhos Comunitários: “Já ouvi falar dos Consegs de Chapecó por meio da imprensa, no entanto desconheço suas atividades e atribuições, tampouco quem são seus integrantes e como são escolhidos”.

A baixa participação da população não se resume a Chapecó. Em Concórdia onde também existe Conseg, as lideranças sofrem com o problema da falta de participação da comunidade. De acordo com a coordenadora Regional de Polícia Comunitária da 14º Região Policial, Inês Renostru, o conselho está instalado no bairro Nações e foi reativado à aproximadamente dois anos e meio. “A participação dos moradores não é a esperada. Acredito que tem que haver mais divulgação para a comunidade, porém, ela também tem que fazer a sua parte”.

 Tainara Strieski é moradora do Bairro Nações há 15 anos e afirma que existem três placas do Conseg, nas três entradas para o bairro. Porém, ela conta que nunca foi convidada para participar.  “Para ser sincera não conheço, só sei que tem algumas placas nas entradas do meu bairro, mas nunca me convidaram para participar”, conclui Tainara.

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